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Lendo e escrevendo

Lendo e escrevendo

A Força da Idade, Simone de Beauvoir

12.07.22, Almerinda
A Força da Idade, Simone de Beauvoir, 1960 “A Força da Idade” é dos livros que herdei da minha irmã, talvez o mais importante. Ela tinha-me oferecido “Os Mandarins”, pediu-me que lho emprestasse para o ler e quase chegou ao fim do 2º volume naquelas férias fatídicas. Chegou a minha vez de ler este belíssimo exemplar de “A Força da Idade” editado pela Bertrand e descobri, ao longo da leitura, sublinhados que inevitavelmente me fazem reviver as suas preocupações, os (...)

O Atalho dos Ninhos de Aranha, Italo Calvino

06.03.22, Almerinda
O Atalho dos Ninhos de Aranha, Italo Calvino, 1947 Gosto sempre de ler um livro com um prefácio que me ajude a contextualizá-lo nas suas várias facetas. Em 1964 Italo Calvino fez um prefácio para o seu “O Atalho dos Ninhos de Aranha”de 1947. É um longo prefácio em que por várias vezes retoma a frase inicial “Este romance foi o primeiro que escrevi”. Escrito pouco depois da Libertação e da sua experiência como membro da Resistência à ocupação nazi, Calvino reflecte (...)

Natasha

27.02.22, Almerinda
Natasha. Natalya. Estive com a Natasha, dois dias antes de ela fazer 42 anos. Na altura ela disse-me que estava em Portugal há 21 anos, precisamente metade da sua vida tinha-a passado aqui.   Nestes 21 anos casou, teve dois filhos – um rapaz e uma rapariga – divorciou-se depois de ter vivido uma situação grave de violência doméstica, sobreviveu, criou o seu próprio negócio depois de o patrão ter encerrado o salão de cabeleireiro, sobreviveu a uma pandemia que a obrigou-a a (...)

A Cidade das Flores, Augusto Abelaira

14.02.21, Almerinda
“A Cidade das Flores”, Augusto Abelaira, 1959 Quando se volta a ler um livro que se leu há mais de quatro décadas, percebemos se ele teve influência nessa altura das nossas vidas, se nos conseguimos identificar com o contexto ou com alguma das personagens, se, apesar da distância, permanece como objecto literário ou, se é de tal forma datado que não consegue despertar interesse para quem hoje o leia, sendo jovem como na altura eu era. Em 1961, no posfácio à segunda edição (...)

Ontem foi tempo de fazunchar

23.08.20, Almerinda
De carro pela EN2, à descoberta de terras e de paisagens que, embora não distantes, ainda não conhecíamos. À medida que se avança no conforto do automóvel, não pude deixar de pensar que o ano passado por ali andou o Afonso Reis Cabral, a meio do seu trajecto de mais de setecentos quilómetros a pé, apoiando-se nos seus bastões e com uma mochila de trinta quilos às costas. Teria apanhado calor, ou chuva e frio quando passou por ali? A verdade é que ainda hoje avalio entre os (...)

As Longas Noites de Caxias

12.10.19, Almerinda
As Longas Noites de Caxias, Ana Cristina Silva, 2019 A cada novo livro de Ana Cristina Silva que leio, reforço a ideia que já anteriormente expressei de que “a autora revela a sua mestria em analisar e transmitir-nos estados de alma das personagens que cria”. Desta vez, partindo de factos verídicos, o foco é o que o medo faz às pessoas e até que ponto pode chegar a perversidade de uma pessoa para com outras. Para tal, evoca o instrumento que o Estado Novo utilizou para subjugar (...)