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Lendo e escrevendo

Lendo e escrevendo

Paddy, Sara, Muro, Desigualdade Salarial, Lula, Vox

12.11.19, Almerinda

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Paddy, Sara, Muro, Desigualdade Salarial, Lula, Vox…

Numa semana, estes nomes ou estes títulos encheram as páginas dos nossos jornais, foram motivo para peças nos telejornais, deram horas de debate nas redes sociais. Como sempre, a intensidade da notícia é alta, a reflexão frequentemente escassa e a avidez de novidades exige que se passe à notícia seguinte, porque o presente é que conta e se der boas audiências, tanto melhor.

Mas importa parar, reflectir e concluir que os acontecimentos não surgem e passam sem deixar marcas e algumas bem fortes para o futuro.

Paddy e o glamour do mundo digital. Muito empreendedorismo, muita tecnologia, muitos convidados topo de gama, numa cidade preparada para a enchente. Tudo brilha, muito neon como convém, mas no melhor pano cai a nódoa: o que seria da web summit sem 2700 voluntários a trabalhar sem ganhar e sem direitos?

Sara. Há Saras e Saras. Esta é jovem, sem-abrigo, negra e foi crucificada na praça pública porque abandonou o seu filho recém-nascido junto a um contentor. O que será feito do pai da criança? O que será a cabeça desta jovem mãe que deita o seu filho no lixo? Felizmente o bebé sobreviveu, possivelmente encontrará uma família que o vai acolher e amar. O presidente foi deitar um olho para dentro do contentor, possivelmente fez uma selfie. Vamo-nos esquecer da Sara?

Muro. 30 anos depois. Deitou-se aquele abaixo, outros ficaram e mais outros estão a ser construídos: na Palestina, no Sahara Ocidental, na fronteira do México, na Europa… A Europa fortaleza  que ficou mais muralhada contra os refugiados, os que fogem da guerra, olhados como terroristas. Contra os refugiados que não se afogaram no Mediterrâneo.

Desigualdade salarial. A partir de 8 de Novembro, tendo em conta a desigualdade entre os salários dos homens e das mulheres, é como se as mulheres trabalhassem à borla até ao final do ano. Como os/as voluntários da web summit. A velha consigna “para trabalho igual, salário igual” não passa de uma consigna. A desigualdade de género não é uma falácia.

Lula livre!  gritou-se na sexta-feira. A esperança na mobilização dos muitos cidadãos brasileiros na reposição da verdade e na luta contra um presidente corrupto, ignorante, reaccionário, incapaz. O Brasil merece respeito, democracia, liberdade.  Lembrando Chico Buarque “Canta a primavera, pá/Cá estou carente/Manda novamente/Algum cheirinho de alecrim”.

E finalmente, Vox. Não vale a pena ignorar que o Vox foi o grande vencedor da noite de domingo. Desgraçadamente. Mais de 3 mihões de espanhóis acharam que ali estava a solução para as suas vidas! Órban, Salvini, Erdogan, Marine le Pen, Bolsonaro, Trump, Ventura estão a esfregar as mãos de contentes. Nuvens negras no horizonte.

Concluo dizendo que há tanto motivo para lutar. Pela democracia, pela liberdade, pelos direitos para todos e todas. Tantos avanços, tantos recuos. Tanta certeza de que tudo já estava adquirido, mas a constatação de que os pequenos passos mesmo pequenos têm de ser acompanhados e não deixados sem guarda. Os sindicatos, os movimentos sociais, as forças e organizações de esquerda têm um papel insubstituível neste combate que não tem fim. Mãos à obra, que se está a fazer tarde.

(Este texto foi publicado a 12 de Novembro de 2019 no site do SPGL - Notícia do Dia)

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