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Lendo e escrevendo

Lendo e escrevendo

I'm a crazy Cat lady

23.06.19, Almerinda

o velho e o gato.jpg

Não consegui resistir a esta capa. Lá dentro uma história de amor entre um casal de velhos suecos e uma gata. Gata e não gato. Um livro de capa dura, com folhas com uma textura agradável ao tacto, desenhos deliciosos de Ane Gustavsson, uma leitura rápida e na qual, quem tem um gato, se revê.

Um dia, sem ser planeado nem desejado, uma gata instala-se na vida deste casal, habituado a viajar e a usufruir de uma reforma confortável. Como se costuma dizer, não foram eles que a escolheram, foi a gata que os escolheu a eles, que os adoptou. De forma subreptícia, impôs-se. Como era possível continuar a deixar aquele pobre gatinho a dormir no cesto das ferramentas no barracão do jardim naquele Inverno tão rigoroso e gélido? Teria fome? De quem seria?

Começa-se a dar ração e água e daí a pouco ela vai-se aproximando até que se empoleira na janela e aparece mal os proprietários da casa e do barracão abrem a janela ou a porta da entrada... Depois é a primeira ida ao veterinário, saber se é gato ou gata, a castração, as mudanças na vida do casal e na casa com a presença da gata, a abertura de uma gateira como solução sobretudo quando as ausências são mais prolongadas, as brincadeiras, a companhia, os hábitos de caçar ratos e de os trazer para casa... A tristeza e a sensação de perda, na primeira vez que ela desaparece, a habituação às rotinas e à personalidade da gata.

O autor e dono da gata é psiquiatra e tenta perceber o que "pensa" a sua gata, como reage e por que reage de certa maneira e,  sabendo que a lógica dos humanos não consegue chegar ao insondável dos felinos domésticos, acaba por se habituar a aceitar as subtilezas e imprevisibilidades de que é feita a vida da sua gata. Nas suas reflexões não deixa de referir autores apaixonados por gatos e a quem dedicaram livros e/ou poemas, como por exemplo Doris Lessing ou T. S. Eliot.

Chama-lhe Bichana, outras vezes Marota ou Dorminhoca e, a propósito do nome que se deve dar a um gato, lembra o poema de T.S.Eliot que refere que um gato deve ter 3 nomes: o primeiro deverá ser aquele por que é chamado habitualmente, o segundo deverá ser um nome único, especial, que mais nenhum gato tenha e que faça jus ao seu orgulho de gato e o terceiro será um nome secreto que só o próprio gato conhece e que nunca nenhum humano alguma vez conseguirá descobrir!

O poema "The naming of Cats" da autoria de T.S.Eliot é delicioso

The Naming of Cats is a difficult matter,
It isn’t just one of your holiday games;
You may think at first I’m as mad as a hatter
When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES.
First of all, there’s the name that the family use daily,
Such as Peter, Augustus, Alonzo, or James,
Such as Victor or Jonathan, George or Bill Bailey —
All of them sensible everyday names.
There are fancier names if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen, some for the dames:
Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter —
But all of them sensible everyday names.
But I tell you, a cat needs a name that’s particular,
A name that’s peculiar, and more dignified,
Else how can he keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers, or cherish his pride?
Of names of this kind, I can give you a quorum,
Such as Munkstrap, Quaxo, or Coricopat,
Such as Bombalurina, or else Jellylorum —
Names that never belong to more than one cat.
But above and beyond there’s still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover —
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.

I am.jpg

A minha paixão por gatos é tardia e comecei a preparar a perspectiva de um gato na família, quando me reformasse. Tal como a perspectiva de que mais tempo para a leitura só seria possível quando me reformasse. E estes dois objectivos estão mesmo ligados. Andava a ler "Gatos e mais Gatos" de Doris Lessing quando a minha amiga Esmeralda me propôs a adopção de um gatinho que veio de Almada para viver connosco. De seu nome Gaspar. Sem segundo nome. Se tem um terceiro nome, nunca saberemos, porque ele nunca o confessará!

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