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Lendo e escrevendo

Lendo e escrevendo

# 14 Paula Rego

15.12.20, Almerinda

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#14 Paula Rego

Quando no início do ano comecei a idealizar o projecto a que dei o nome 20 Mulheres em 2020, Paula Rego foi um dos primeiros nomes que me veio à cabeça. É talvez das pintoras portuguesas cuja obra mais amo.

A força das suas telas, os múltiplos sentidos que nos convocam sempre que somos confrontados com o inusitado dos elementos de que são feitas, a perfeição e domínio técnico são parte substancial da admiração pela pintora. A somar a estes aspectos, a força da sua pintura reflecte uma personalidade livre, irreverente, desconcertante.

Quando em Portugal se lutava pela despenalização do aborto, quando grande parte do povo ignorou o seu valor não participando no primeiro referendo, quando a hipocrisia reinante quis impor um silenciamento demasiado ruidoso do aborto clandestino, Paula Rego decidiu pintar “vários tipos de mulheres que estão a sofrer. Jovens de escolas com uniformes – comprei uniformes ingleses – depois uma mulher mais velha, que já tem filhos que cheguem, com uma bata azul. As meninas ricas que escondem dos pais e fazem abortos sozinhas nos quartos. Essas coisas acontecem em toda a parte. No Estoril, em Cascais…”. Era preciso desocultar o tabu do aborto clandestino.

Pelo facto de o referendo de 1998 ter sido perdedor, a sua decisão de pintar o tema do aborto clandestino, tornou-se-lhe um imperativo, uma exigência cívica. Como Paula Rego diz numa entrevista num jornal da época “ Devia ser legalizado o desmanche, legalizado a liberdade de cada mulher decidir por si própria. Não é mandar prender, isso é uma vergonha.”

Visitar a obra multifacetada de Paula Rego é um privilégio que nos é acessível, nomeadamente através da sua Casa das Histórias em Cascais.

 

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