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Lendo e escrevendo

Lendo e escrevendo

Os Anos, Annie Ernaux

03.12.22, Almerinda
  “Os Anos”, Annie Ernaux, 2008   De repente, descobre-se um nome novo, alguém que ganhou o prémio Nobel da Literatura e nem sempre as livrarias estão preparadas. Não foi o caso este ano. Pelo menos encontrei três títulos diferentes de obras de Annie Ernaux, todos traduzidos em português por Maria Etelvina Santos e quando me questionei por qual deveria começar, sugeriram-me que começasse por “Os Anos”. E assim foi. Uma bela descoberta. Gostaria de começar este meu (...)

Torto Arado. Itamar Vieira Junior

23.10.22, Almerinda
“Torto Arado”, Itamar Vieira Júnior , 2018   Este foi um daqueles livros que não parei de sublinhar, sublinhar, sublinhar. Um livro verdadeiramente excepcional, poético, poderoso, brutal, que me permitiu viver sentimentos muito fortes, como a raiva, respeito pela coragem das personagens e profunda admiração por um escritor que consegue de forma intensa e admirável assumir a pele de mulheres narradoras. O exemplar que comprei tinha uma cinta com a indicação dos prémios (...)

As Pequenas Memórias, José Saramago

09.10.22, Almerinda
“As Pequenas Memórias”, José Saramago, 2006  Há alguns anos que não leio nada de José Saramago, o que significa que quebrei o meu compromisso de ler um livro deste autor todos os anos, para ver se consigo ler toda a sua vasta obra. Assim, peguei n’ ”As Pequenas Memórias”, numa edição da Caminho de 2006, para me redimir do atraso. Começa com a sua Azinhaga, quando menino. Mas rapidamente as memórias de infância levam-nos a Lisboa, para onde a família foi viver na (...)

À Procura da Manhã Clara, Ana Cristina Silva

02.10.22, Almerinda
“À Procura da Manhã Clara”, Ana Cristina Silva, 2022   Desde que li pela primeira vez o livro “O Rei do Monte Brasil” de Ana Cristina Silva, nunca mais deixei de acompanhar a sua produção literária. Fascina-me a sua capacidade de caracterização das personagens e o modo como organiza as suas narrativas, conseguindo criar uma empatia perfeita com o leitor. Em “À Procura da Manhã Clara”, a narrativa é entremeada por cartas de Annie Silva pais, filha do último director (...)

Memorial do Convento, 1982

16.09.22, Almerinda
Esta é uma memória com 8 anos e, portanto, anterior ao meu blog e por isso, hoje publico-a aqui pela primeira vez.  Ainda estou em estado de graça! Memorial do Convento, José Saramago, 1982Escrever, fazer uma apreciação sobre uma obra de Saramago é uma imensa responsabilidade e desafio. Não por ele ser o Nobel português (mais que merecido), mas porque Saramago escreve incrivelmente bem, nos surpreende pela forma como escreve e pela forma como nos convoca a olhar para a vida, (...)

Entre Pássaro e Anjo, João de Melo

15.09.22, Almerinda
“Entre Pássaro e Anjo”, João de Melo, 1987   Gosto de ler livros que vão saindo, mas não deixo de ir à descoberta de tantos que se foram acumulando numa altura da minha vida em que o tempo de leitura era muitas vezes reduzido e, sobretudo, limitado aos períodos de férias. Faço agora aquilo que me prometi, quando a aposentação parecia uma coisa longínqua. Àqueles que se foram acumulando, juntei os muitos que herdei da minha irmã, leitora compulsiva e muito atenta aos (...)

O Luto de Elias Gro, João Tordo

30.08.22, Almerinda
“O Luto de Elias  Gro”, João Tordo, 2015 É o terceiro livro que leio de João Tordo e confesso que “Três Vidas”, o primeiro lido, foi o que mais de agradou. “O Luto de Elias Gro” é demasiado depressivo. O estado de desespero e aniquilamento a que o narrador se vai entregar desde que decide ir viver para uma ilha, num farol desactivado, vai-se adensando ao longo da narrativa. Quando esta já vai a caminhar para o final, a personagem de um médico que o visita numa cabana (...)

Integrado Marginal

15.08.22, Almerinda
    Integrado Marginal, Bruno Vieira Amaral, 2021 Este ano tem sido um ano de grandes leituras e este livro de Bruno Vieira Amaral é de facto um livro extraordinário. Uma obra completíssima, séria, resultado de um enorme trabalho de investigação sobre a vida de José Cardoso Pires, um grande escritor, considerado por Óscar Lopes “o maior prosador vivo da língua portuguesa” (pág. 463). Para além da extensa bibliografia, do recurso a espólios de diversos autores e fontes (...)

A Força da Idade, Simone de Beauvoir

12.07.22, Almerinda
A Força da Idade, Simone de Beauvoir, 1960 “A Força da Idade” é dos livros que herdei da minha irmã, talvez o mais importante. Ela tinha-me oferecido “Os Mandarins”, pediu-me que lho emprestasse para o ler e quase chegou ao fim do 2º volume naquelas férias fatídicas. Chegou a minha vez de ler este belíssimo exemplar de “A Força da Idade” editado pela Bertrand e descobri, ao longo da leitura, sublinhados que inevitavelmente me fazem reviver as suas preocupações, os (...)